Belize… debaixo de água

E o segundo dia no Belize começou cedo com um pequeno-almoço fantástico no El Secreto seguida de uma saída para mergulho.

Adoro mergulhar, já estive em vários dos melhores spots do mundo e quando ouvi que o Belize tinha  segunda maior barreira de coral do mundo – a seguir à da Austrália onde mergulhei há uns anos atrás – não descansei enquanto não marquei uma viagem para lá.

No entanto não foi nada fácil escolher o destino do mergulho. O famoso Blue Hole – um buraco azul gigantesco onde se mergulha praticamente sem luz e onde a vida animal é pouca ou nenhuma – não me fascina e os atois nas suas imediações implicavam um dia inteiro, das 5 da manhã às 19 entre mergulhos e viagens, o que me parecia um bocadinho demais.

Em conversas com o Dive Center do El Secreto acabei por me decidir por um mergulho no Hol Chan Maritime Reserve, uma zona da Grande Barreira, muito falada pela sua extraordinária fauna e flora e outro mergulho pelas imediações.

Pois é…. depois de tanto ler, de tanto pesquisar, de tantas fotos e de tantos relatos, a desilução foi mais que muita. Não sei se por culpa do Dive Master que nos acompanhou, ou se por ser mesmo assim, a verdade é que o Hol Chan revelou-se um spot bem pobrezinho, com boa visibilidade, água quente como se quer, mas com pouca vida animal, poucas cores… demasiada areia. Se não fosse termos avistado um manatim a poucos metros de nós, o mergulho teria sido mesmo um tempo perdido.

Desiludidos e já de volta ao barco, lá perguntámos onde seria o segundo spot, ao que nos foi dito que não havia segundo spot… tinham-se esquecido que tinhamos marcado dois mergulhos e só estava planeado um. Para nos compensarem “pobremente” ainda nos levaram ao Shark Ray, uma “maternidade” de tubarões onde nos deram a “oportunidade” de fazer snorkeling com estes.

 

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Ficámos bastante desiludidos tanto com as condições naturais como com o profissionalismo do dive center – foram trocados dezenas de mails apriori para marcação dos mergulhos, que ainda por cima foram dos mais caros que fiz até hoje.

Para afogarmos as mágoas, pedimos que nos deixassem em San Pedro onde assentámos arraiais no Bar Cholo’s, à beira-mar, a beber uma Belikin e uns shots de One Barrel, o rum local.

 

O dia foi passado a dar umas voltas por San Pedro, um almoço no Blue Water Grill e um final de tarde novamente no Cholo’s Sports Bar onde conhecemos Alma e Alexandro dois locais que nos contaram um bocadinho como por aqui se vive, a trabalhar muito e a ganhar pouco.  Alma tem 3 empregos para conseguir pagar as contas numa ilha em que os preços são todos “para turista americano”.

 

 

Ambos falam espanhol e inglês na perfeição, aliás quase como toda a gente em Ambergris, e são em grande parte espelho da população local:  ele é policia, ela limpa quartos em dois hotéis diferentes e faz babysitting à noite. Tem 2 filhos adolescentes que sonham estudar mais que os pais conseguiram e depois emigrar para o Canadá ou Estados Unidos.

Mas enquanto esse dia não chega, a filha sonha com o baile de formatura, que por aqui tal como nos “States” é vivido em grande estilo: vestido comprido e tiaras numa noite que se sonha de princesas.

“Vou gastar muito dinheiro, já sei, mas vai ser um dia que ela vai recordar para sempre”, afirma Alma, de mãos de trabalho e olhos lacrimejantes.
Acompanhamos a conversa com umas Belikins e um ceviche simplesmente maravilhoso. Fica a dica, se querem bom ceviche em San Pedro não precisam gastar muito dinheiro em restaurantes caros, fiquem mesmo pelo Cholo’s 😉


Regressamos ao El Secreto já noite, o barco nunca mais parte porque faltam dois hóspedes, quando estes chegam – dois americanos quarentões com a mania que são bons – todos protestam, até que estes em jeito de compensação saiem novamente do barco para ir comprar cervejas para todos. Voltam com uma grade de Belikins…. um brinde ao Belize.

 

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