Cinco spots a não perder na Tailândia

A Tailândia é um dos destinos mais procurados na Follow Me  para luas de mel. E é sem dúvida um país único, lindo e hiper romântico.

Aqui vão algumas dicas publicadas por mim na antiga revista Blue Travel

Cinco spots a não perder

 Ko Samui- Ko Tao- Phuket- ilhas Phi-Phi – Lanta

Para umas férias de sonho, para uns vinte dias exóticos de sol, mar, bebidas frescas e sorrisos. Partimos para o Oriente, rumo à Tailândia. Para lá do turismo de massas, a anos-luz do tsunami que por ali passou, procurámos o melhor do melhor e descobrimos.  Por si, que partilha connosco o espirito Blue, voltámos com dezenas de segredos para contar. De Ko Samui com o seu design hotel a beijar o mar. De Koh Tao onde se juntam viajantes do mundo inteiro a brindar à vida. De Phuket, ponto de partida perfeito para ilhas desertas. Das Phi- Phi, onde a paisagem é tão bela que nos corta a respiração. De Lanta, onde apetece ficar para sempre deitado numa varanda a olhar para a imensidão do mar.

Aqui fica o roteiro do melhor de um país surpresa. De uma costa maravilha.

Ko Samui e Koh Tao

Mergulho – Festas à beira-mar – Design – Os melhores cocktails do planeta

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Ko Samui, a  terceira maior ilha da Tailândia, já teve em tempos a maior plantação de coqueiros do mundo. Hoje é mais conhecida pelas suas praias de areia branca, o seu mar azul turquesa, os seus bares e as suas noites. Um bom sitio para aterrar depois de uma viagem longa, descansar durante uns dias e rumar então à ilha vizinha  Koh Tao. Quando chegar a esta, guarde os sapatos, vista o fato de banho e relaxe. Bem vindo a um dos paraísos da terra.

Não há palavras que descrevam a nossa primeira sensação à chegada a Ko Samui. Vindos do frio de Portugal, depois de dezassete de horas de vôos, de repente damos por nós a sobrevoar uma pequena ilha, com uma luz brilhante, carregada de coqueiros perdidos numa imensidão de azul. Do céu, Ko Samui parece um  dos sitios mais bonitos do mundo. Com cheiro a Verão. Com umas cores vivas, com uns verdes irreais.

Viemos decididos a descobrir o melhor da Tailândia, o melhor do melhor. À primeira, parece que aterrámos no sitio certo. Ko Samui, em plena costa ocidental do Golfo da Tailândia, já foi em tempos uma das maravilhas do Oriente, mas desde os anos 70 que o turismo massificado tem vindo a deixar as suas marcas. Muitas lojas, muitos bares, noites longas. Nada que impeça no entanto que esta seja a ilha ideal para chegar depois de uma longa travessia e passar dois ou três dias a descansar antes de prosseguir viagem para a ilha de Koh Tao, apenas a duas horas de ferry boat.

Foi o que fizemos. Mesmo à beira mar, o design hotel,  Muang Kulay Pan foi a escolha para uns dias de sol e mergulhos. Um livro para ler, longas caminhadas à beira-mar. As camas são futons no chão, as casas-de-banho de Phillipe Starck, a decoração de inspiração japonesa, com amplos terraços virados para o Golfo da Tailândia

A dar-nos as boas vindas, Attapong Sawasdirak, o manager de serviço. De sorriso aberto, óculos de intelectual, lábios pintados e echarpe ao pescoço. Um one man show com toques de vedeta e pose teatral. Quando lá fôr peça para o conhecer, diga que vai da nossa parte. Apesar de ser natural de Banquecoque, Attapong é uma figura da ilha e uma personalidade imperdível. De preferência convide-o para jantar. No restaurante do hotel, cada mesa, quase a rasar o chão, está instalada num pequeno estrado mesmo junto ao mar. Sentamo-nos de pernas cruzadas, há danças locais a par da refeição, acordes límpidos e suaves. A comida é divinal, à boa maneira tailandesa: um prato picante, um prato agridoce, uma sopa à base de leite de côco, gengibre e marisco. Muita erva-limão, muitas malaguetas. A acompanhar, um vinho branco fresco e as gargalhadas de Attapong: “Ko Samui é vida, a vida é bela, sintam o ar, sintam a música.” Seguimos o conselho. Três dias depois da chegada é já com pena que nos despedimos, mas a Tailândia não é só Ko Samui. A ilha de Koh Tao espera-nos. Longe dos grandes resorts de luxo, do turismo de massas e fechada ao trânsito de quatro rodas.

Chamada de tartaruga, devido à sua forma, Koh Tao – com apenas 21 quilómetros- esteve desabitada até 1933, altura em que passou a ser utilizada como prisão politica pelos monarcas locais. Em 1947 com os presos a serem perdoados e a regressarem ao continente, Koh Tao voltou a ser uma ilha deserta de águas cristalinas e terras carregadas de coqueiros. A perfeita imagem de um bilhete postal que começou a cativar os primeiros turistas há pouco mais de quinze anos. Vinham então de todo o mundo atraídos pelas miticas festas da lua cheia que se realizavam, mês após mês, junto ao mar na ilha vizinha de Koh Phangan.

De então para cá, Koh Tao tornou-se o destino de sonho de viajantes em busca de uma terra ainda com alma e paz. Gente bonita de sorriso afável. De bem com a vida. Sem pretensões, mas com muito espirito.

Na pequena vila de ruas de terra batida e passeios de areia, não faltam lojas locais, caixas multibanco e restaurantes de saladas tropicais e sanduiches biológicas. A cada esquina alugam-se motorizadas, a forma mais prática de percorrer a ilha. Os carros estão proibidos e os sapatos são um acessório praticamente desnecessário.

Pelas noites fora, sucedem-se as festas à beira-mar, de pés na areia, iluminadas a velas e archotes. Os bares são de madeira, há pufes e tapetes orientais espalhados pelo areal, ouve-se Jack Johnson, Bob Marley e outros que tais. Entre os coqueiros, não faltam palhotas de terraços virados para o mar com preços que rondam os cinco euros por noite. Percebe-se que muitos dos que aqui chegam, resolvam ficar por cá. Charlie, inglesa loira de tez bronzeada, veio para ficar um mês e já por cá está há um ano. É professora de mergulho na Asia Divers, uma das escolas mais reputadas da ilha. Vá ter com ela e peça-lhe para o levar a tomar o pequeno-almoço com os tubarões. Koh Tao é um paraíso para os mergulhadores.

Jesper Hartmann, sueco, detentor do titulo de 3º melhor barman do mundo, não veio por causa do mergulho. Nem sabe ao certo porque veio. Há 2 anos, ainda em Estocolmo, assinalou um sitio ao acaso no mapa mundo e partiu. Calhou-lhe Koh Tao e mal chegou percebeu que “tinha sido Deus” a indicar-lhe o caminho. Hoje, juntamente com um primo e um amigo, é dono do melhor restaurante da ilha, Papa’s Tapas.  Reservas obrigatórias com dois dias de antecedência. É lá que jantamos na nossa última noite na ilha, depois de quatro dias de mergulho, tardes de espreguiçadeira e passeios de cabelos ao vento por estradas entre coqueiros.

“Gosto desta calma, gosto desta mistura de ocidentais com tailandeses, gosto deste bem estar que aqui se vive”, explica Jesper enquanto nos prepara um cocktail de pimenta preta, mel, erva limão e Absolut. “As coisas aqui vivem-se com tempo, Koh Tao é um segredo ainda bem guardado e espere que assim continue.” Esperamos também.

Ao sabor de mais uns cocktails servidos numa pequena sala de inspirações marroquinas, segue-se o jantar. Pequenos pratos de cozinha de fusão com inspiração espanhola. Divinal. Aconselhamos a que prove tudo. O que poder e o que não poder. A conversa arrasta-se. Aparecem alguns amigos. Passam as horas. Em Koh Tao é sempre assim, as horas passam e não se dá por elas. Já a madrugada vai longa quando se ouve a voz de Chico Buarque a trautear: “Quando eu fôr vou sem pena….” . É mentira. Partimos no dia seguinte rumo a Phuket, mas vamos com pena. Com muita pena.

 Phuket

Ilhas desertas – Hoteis Design –Spa – História – Natureza

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É a maior ilha da Tailândia, em plena Costa de Andaman. Atingida pelo tsnuami de Dezembro de 2005 e totalmente recuperada em poucos meses, é conhecida pelas suas praias de areia branca, os seus resorts de luxo e a sua animação nocturna. Mas Phuket é bem mais do que isso. É bem melhor do que isso. Onde o turismo de massas é rei, descobrimos praias exclusivas, hotéis design, ilhas desertas e um centro histórico marcado com a herança de Portugal. Para uns dias de praia, “dolce far niente” e cultura.

De Koh Tao a Phuket a viagem é breve. Duas horas de ferry boat até Ko Samui e pouco mais de 45 minutos de avião e cá estamos nós do outro lado da costa tailandesa, no mar de Andaman. Depois de Koh Tao com o seu cenário idilico, confesso que é de nariz torcido que prosseguimos viagem.

De Phuket já muito se ouviu falar. Hotéis e mais hotéis, turistas vindos de todo o mundo em busca de “um pouco de afecto”, palmeiras enfileiradas ao longo de marginais de cimento junto ao mar, muitos clubes, muitas discotecas, muitos suecos de barriga proeminente e caneca de cerveja em punho. E assim é, caro viajante, Phuket é isso, mas afinal não é só isso e o resto vale a pena. O resto é de sonho. O resto é tudo aquilo que as agências turisticas não mostram nos seus pacotes.

Como primeira paragem para descansar dos dias (e noites) de Koh Tao, rumamos para Norte onde nos dizem que as praias são desertas, de mar batido e costa a perder de vista. Sem areais apinhados, sem chapéus de sol, sem espreguiçadeiras de plástico. É aqui a 40 minutos de carro do centro da cidade, que descobrimos o primeiro segredo de Phuket: Aleenta, o novissimo design hotel desta ilha. Inaugurado em Julho, na quase intocada praia de Natai, tem apenas 15 villas e 15 suites, a maioria com piscina privativa e terraço em deck com vista para o mar.

À entrada de cada suite o olhar foge-nos logo para as grandes janelas com um pé direito altissimo, que nos dão a sensação de estarmos ao ar livre. No andar debaixo a sala com a piscina aos pés, no andar de cima, o quarto em mezzanine. Um Ipod com sons chill out compôe o ambiente.

Não espere agitação, movimento, confusão. Os quartos nem sequer têm teelvisão e não são permitidas crianças com menos de 12 anos. À volta do Aleenta só mar, dunas e coqueiros. Silêncio, uma brisa suave ao entardecer a cortar o calor tropical.

Todas as manhãs, pouco depois do nascer do sol, há aulas de yoga na praia. Já pelas tardes, o Spa virado para o mar revela-se a melhor opção. Na hora do calor, aproveite para relaxar com as técnicas orientais. Porque não uma massagem tailandesa? Ou uma sessão de aromoterapia? Uma maravilha, confesso.

As noites, essas, querem-se para o mais puro descanso. No Aleenta nada foi descurado, até a roupa de cama pertence a uma linha própria criada de propósito para este resort. Sofisticação e elegância numa linha sóbria de cores neutras são palavras chave. Para cor, por aqui, basta o mar, azul vivo.

Entre caminhadas na praia, mergulhos, passeios de bicicleta e pequenos almoços na cama, o Allenta é também o sitio ideal como ponto de partida para um dia no Parque Nacional Marinho das ilhas Similan. Ao todo são nove ilhas desertas a 2 horas da costa, no meio do Mar de Andaman, considerado um dos melhores pontos de mergulho do mundo. Os recifes de corais das Similan são os mais antigos da Tailândia, alguns datam de há 5 mil anos.

Mergulhe ou não, vá na mesma. Nós fomos e garantimos que vale a pena. As ilhas são lindas e o caminho até lá,  feito de jet boat ao melhor estilo de Miami Vice, é uma experiência.

Todas as ilhas são cobertas por floresta tropical, enquanto que o fundo do mar, ao alcance de quaisquer simples óculos e tubo, se revela um cenário digno de Costeau. Corais de todas as formas e feitios, peixes multicolores, algas e rochas. Como se não bastasse o cenário idilico, a temperatura da água anda por volta dos 28 graus (pelo menos). Não é preciso mais para um dia fantástico por entre ilhas.

Se o seu sonho de criança foi ser o Robison Crusoe, também há possibilidade de ficar a dormir nas Similan. Fale com o hotel para lhe arranjar um pacote que inclua uma ou duas noites nas ilhas. A única forma de ficar por lá é a acampar, mas não se preocupe que o pacote inclui todo o material necessário. Tendas, jantar feito numa fogueira e banhos de chuveiro de água salgada. Resta-lhe a tarefa “cansativa” de ficar a olhar para o mar, caminhar pela selva e ser o primeiro a acordar numa ilha completamente deserta, dar dois passos e cair num mar em tons de azul de banda desenhada. Soa terrivelmente, não é?

Para descansar de tanta azáfama, nada melhor do que deixar a parte Norte de Pukhet e seguir então mais para o pé do centro. Como melhor opção, aconselhamos que fique três ou quatro dias no Chedi, um hotel de cabanas no meio da vegetação em declive sobre o mar. Ao fundo, uma soberba praia privativa onde não faltam desportos náuticos e massagens debaixo de chapéus de colmo.

Apesar da decoração já não estar dentro das linhas mais actuais, o Chedi marca pela excelente localização sobre o mar, com uma paisagem incrivel em redor. Para além disso, o staff é do melhor, sempre entre um sorriso e o desejo de lhe cumprir os sonhos. Comum na Tailândia, é mesmo a simpatia do seu povo. De gestos suaves, pose elegante e olhar meigo. Com uma timidez cativante.

Mas voltando ao Chedi, outro dos seus pontos positivos é o facto de estar perto do centro de Phuket, onde pode sempre ir uma ou outra noite para uma volta pelos bares. Ao final da tarde, o mercado nocturno junto à praia de Patong é outra das atracções. Não faltam relógios falsos, comida tailandesa de toda a espécie e feitio, imitações de gosto duvidoso e roupa da moda local.

Durante o dia, de preferência logo pela manhã antes que o calor aperte, aproveite para conhecer o centro histórico da cidade com as suas ruelas de prédios de traço colonial, onde se destaca o quarteirão sino- português. Reza a história que terão sido mesmo os nossos compatriotas uns dos primeiros povos a passar por esta ilha. Não foram os últimos. Também por lá estivemos nós. Ao todo foram sete dias. Um número perfeito.

Partimos agora rumo às ilhas Phi Phi, em pouco mais de duas horas de viagem de jet boat. Seguem-se os últimos dias e uma pista: o melhor fica sempre para o fim.

Ilhas Phi Phi e Lanta

Massagens tailandesas – Floresta tropical – Recifes de coral – Lodges ecológicos

 

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Uma mão cheia de ilhas, ilhotas e ilhéus de escarpas, areia e selva. Um mar a perder de vista, morros que se elevam no céu com cumes de floresta virgem. Lagos, grutas, baías e enseadas com golfinhos a saltar ao longe.

Para terminar em grande um roteiro pela Tailândia, para fechar com chave de ouro, para partir já com saudades. Da beleza das Phi Phi à leveza de Lanta, as ilhas mágicas do Oriente.

Quando pensávamos que já tinhamos visto tudo o que a Tailândia tinha de mais bonito, eis que chegamos às Phi Phi e ficamos assim, de respiração sustida. Não há palavras, ainda bem que temos as fotos do António para testemunhar aquilo que vimos.

Lindas, magnificas, imponentes. Tanto a Phi Phi Ley, deserta, selvagem, pura e imortalizada no filme “A Praia” , como a Phi Phi Don, quase deserta, apenas com dois ou três resorts de sonho e uma vila onde confluiem pessoas de todo o mundo. Meia dúzia de cabanas a dez euros a noite, dois ou três bares, um punhado de restaurantes sem pretensões. Não há estradas, só areia, mar, coqueiros e golfinhos.

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Não estávamos preparados para tanto. Por mais que ouvissemos dizer, por mais que lessemos, por mais que vissemos fotos e afins. Eu sei que Leonardo Di Caprio andou por aqui aos saltos no filme “A Praia” e que as filmagens mostravam uma ilha encantada. Eu sei, mas mesmo assim não estavámos preparados. Eu pelo menos não estava. Foi preciso chegar aqui, sentir, cheirar, torcer o pescoço a olhar para os morros que despontam do mar, ver as águas de esmeralda, os corais sem fim, as enseadas de areia fina onde os pés se enterram qual pétalas de rosas. Foi preciso mergulhar nas águas limpidas, passear de barco pelas lagoas no meio dos fiordes, andar pelos trilhos de floresta quase virgem, ver inúmeros pássaros de cores bizarras para poder dizer: Sim, também nós já estivemos no paraíso.

E agora percebo a loucura de Leonardo Di Caprio e o olhar extasiado do seu bando. E agora percebo o silêncio dos turistas ao aqui chegarem. E agora percebo o cuidado que o Governo local tem ao proteger com unhas e dentes este pedacinhos de terra chamados de Parque Nacional Phi Phi- Hat Nopparat.  Não se pode pescar, não se pode acampar, não se pode queimar, não se pode andar de carro, não se pode sequer andar de motorizada. Motas de água e jet skis são máquinas vindas do inferno. Eu percebo e assino por baixo.

Nas Phi Phi o único meio de transporte permitido é o barco, que por aqui é de madeira, comprido, rente ao mar e chama-se Ror Hangyao, ou se preferir “Long Tailed Boat”.  É num destes que chegamos ao boutique hotel Zeavola, um dos segredos desta ilha que partilhamos consigo. Qual cena de filme dos anos 20, a cor sépia: nós, as malas, os empregados fardados de branco à nossa espera, à beira-mar, de sombrinhas de palha em punho. Os coqueiros por trás, a vegetação cerrada a perder de vista. A vénia conjunta à nossa chegada: Sawaddi –kha (Bom tarde) em coro. As toalhinhas molhadas para nos refrescarmos, o sol a pique, o cocktail de frutas das boas vindas. Na Tailândia é se sempre recebido como um principe, no Zeavola é se recebido como um rei. Um rei no meio de uma selva tropical, em que cada quarto é uma cabana tailandesa entre folhas de bananeira. A praia privada, os pequenos almoços de frutos tropicais à beira-mar, as massagens ao som da maré, os jantares à luz de archotes. Tudo pensado ao pormenor por Quanchai Panitpichetvong, tailandês de Banquecoque, que depois de viajar pelo mundo inteiro, precisou descobrir este pedacinho de ilha para por fim se resolver fixar.

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“Quando aqui cheguei só havia duas ou três cabanas, muito estilo backpacker e nada mais. Afinal, estas ilhas eram totalmente inexploradas até ao filme “A Praia” no ano 2000. Só a partir daí é que começaram a aparecer turistas, mas não havia infraestruturas para um turismo de qualidade. Achei que era preciso fazer alguma coisa com urgência.” E assim fez. “Idealizei tudo em 2003 e em Julho de 2005 abri ao público. É o primeiro boutique hotel da Tailândia e o único resort destas ilhas que aposta na preservação do ambiente”, explica Quanchai. “A água que servimos é água do mar tratada por nós, o lixo é reciclado e inclusive são os nossos empregados que limpam todas as ilhas e ilhotas em redor.” Ficávamos convencidos se já não o estivéssemos.

Ao longo da conversa é Quanchai que nos desafia a irmos conhecer também a vila de Phi Phi Don, Ban Ton Sai, localizada do outro lado da ilha. A única forma de ir é de barco. O meio da ilha é floresta virgem e não existem estradas de ligação entre um os dois lados. “De preferência façam a viagem ao final da tarde.” Porquê? “Depois vão perceber”, diz-nos Qunachai com um ar misterioso.

Seguimos o desafio e ao final da tarde rumamos à praia frente ao Zeavola e alugamos um Ror Hangyao. Jack é o nosso homem do leme.

Do Zeavola a Ban Ton Sai são cerca de 45 minutos pelo mar, ao longo da costa. A meio da viagem, com o sol a pôr-se, percebemos finalmente a insistência de Quanchai.  Há sitios fantásticos, há sitios maravilhosos, há sitios que ultrapassam tudo isso e um pouco mais. Este é um deles.

Ao largo das Phi, Phi, a ver o pôr-do-sol. Eu, o António e o Jack, em silêncio. As encostas escarpadas em nosso redor, as faixas de areia branca muito fina, os morros a tocar o céu, o mar prateado. Ainda bem que tenho testemunhas senão pensaria que tinha sido um sonho.

Regressamos já noite, depois de um jantar de marisco grelhado num dos pequenos restaurantes da vila e de duas cervejas geladas no bar do Jonh, o tailandês de cabelo frisado que anima as noites da praia. Quando partimos, à beira da água vêem-se dezenas de sombras, está noite de lua-cheia e locais e forasteiros reúnem-se junto ao mar para lançar balões de papel. Na Tailândia acredita-se que estes são o elo entre as pessoas e Deus. Ao som do motor suave, levados por Jack, embrenhamo-nos no escuro do mar, a olhar para o céu. Lá vão os balões transformados em estrelas, cá vamos nós, rumo aos nosso últimos três dias em terras do Oriente.

Partimos na manhã seguinte em direcção à ilha de Lanta, a hora e meia de ferry das Phi Phi. Vamos nostálgicos mas cheios. Cheios de tanto o que vimos nestes vinte dias por terras do sudeste Asiático. Lanta, a nossa última paragem, será apenas para descansar e arrumar as ideias. A ilha é grande e dispersa, com meia dúzia de resorts topo, umas praias excelentes e umas vilas de pescadores locais. Em redor há recifes de corais excelentes para dias de mergulho.

Como última morada instalamo-nos no Pimalai, um resort de luxo no meio de uma floresta tropical, debruçado sobre uma praia calma, quase sem ninguém. Calha-nos uma villa no alto de uma encosta, com uma piscina privativa com vista para o mar. Os dias correm serenos entre uma massagem ou outra no Spa, uma sessão de yoga, um pequeno almoço tardio, umas braçadas nas águas do mar. À noite, percorremos a praia e fazemos do bar local o nosso ponto de encontro com outros viajantes. Why Not chama-se o espaço, em pleno areal. Os empregados, tailandeses, têm o cabelo comprido, feições de índios. Andam de jeans, descalços, de tronco nu e pele bronzeada. Servem pequenos pratos de comida caseira tailandesa a 2 euros por pessoa a refeição completa. A simpatia, essa, é grátis e em doses generosas.

Pelo Why Not arrastam-se as últimas noites quentes. Sentados de pernas cruzadas em pufes à beira-mar conhecemos a Marie, alemã de 22 anos em volta solitária pelo sudeste asiático. Como último destino escolheu a Tailândia pela simpatia do povo, pela descrição das paisagens, pelas praias lindas de que lhe falaram. E também pela facilidade em percorrer o país e principalmente o Sul. As ilhas estão a curta distância umas das outras, há vários ferrys e jet boats a fazerem a sua ligação, os bilhetes são baratos, é fácil levantar dinheiro em qualquer sitio e a comida e o alojamento são a preços de saldo para os padrões ocidentais.

Marie está contente. “Foram três meses únicos”, confessa de olhos brilhantes.

Também ela está no fim da rota, cheia de fotografias, recordações e notas apontadas em folhas soltas. Entre cervejas geladas e camarões picantes, trocamos impressões, recordamos terras, gentes e sabores, dividimos saudades. Das praias de Ko Samui às noites loucas de Koh Tao. Dos dias de mergulho ao largo da “ilha da tartaruga”, dos jantares soberbos no Papas Tapas, dos cocktails do Jesper. Dos dias de descanso no Aleenta, da praia deserta de Natai, da beleza das Similan. Da agitação de Phuket, da marca de Portugal no centro histórico e do assombro que são as Phi Phi. Marie compreende-nos, Marie também lá esteve. Na rota das praias do Oriente. Na costa do Sudeste Asiático. Onde o mar é mais azul, o sol mais brilhante e os sorrisos maiores.

Catarina Serra Lopes

5 comentários

  1. Olá Catarina!

    Antes de mais, parabéns pelo post! Fez-me sentir como se, de facto, já estivesse na Tailândia de tão reais que são as descrições…

    Vou sozinha para a Tailândia em Novembro e Dezembro e, depois de uns dias por Banguecoque, Ayutthaya e Chiang Mai, chego às ilhas por via aérea e vou aterrar em Krabi!

    Gostava de dicas de que roteiro fazer nas ilhas (a excepção de Puket que não está na minha lista), quantos dias em cada uma, valores de hospedagem com boa relação preço qualidade, seguro de viagem, etc. São 12 dias nas ilhas e depois sigo para Lisboa por Banguecoque 🙂

    Obrigada

    • Olá Rita se quiser dê uma espreitadela no meu site de aconselhamento e planeamento de viagens: http://follow-me.com.pt.
      Se estiver interessada, diga-me as datas eme que pretende viajar e eu envio lhe um plano e respectivo orçamento. Bjs

      Catarina

    • Olá Rita, também vou sozinha para a Tailândia em Maio e gostaria de saber como foi a sua experiência e o que recomenda. Muitoo obrigada ☺

  2. Obrigada, Catarina, pela sua resposta e prontidão de ajuda.

    Chego a Banquecoque dia 20 de Novembro e parto do mesmo sitio a 10 de Dezembro.

    Tenho 5 dias em Banguecoque (4 na ida e 1 na volta) mas estou a pensar reduzir para 4. Depois 1 dia em Aayutthaya e sigo no comboio para Chiang Mai. Se cortar 1 dia em Bangkok fico com 4 dias nessa cidade e estava a pensar ir um dia a PAI mas como não sei guiar scooters não sei se será boa ideia. O ideal era passar o voo de dia 28 a noite para de manhã e, chegando a Krabi, ir directamente para Phi Phi onde iria passar 3 dias. Depois regressar a Krabi e ficar 3 ou 4 dias. Apanhar o avião para koh samui e visitar as ilhas vizinhas. Voar de koh samui para Banguecoque e passar lá a noite. Terei um último dia na capital à noite voo para Lisboa.

    Resumindo, com 11 ou 12 dias nas ilhas, o roteiro q descrevi é viável ou vale mais ficar apenas num dos lados da ilha? E qual deles?

    Agradecia, então que me enviasse um roteiro e orçamento, tendo em conta a sua experiência.

    Obrigada, mais uma vez!

    • Oál rita desculpe só agora vi este seu comentário. Ainda está interessada num orçamento? Já tem os voos? E hotéis? São quantas pessoas?

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