O novo Intendente

 

Não sou lá muito alternativa, aqui me confesso. Nunca usei sandálias à padeiro nem bolsas a tiracolo à ardina, nunca fiz nem uma rasta, um piercing ou uma tatuagem, nunca pus os pés na Festa do Avante, nem na marcha do 25 de Abril, acampei dois dias que me pareceram 15. Nunca enrolei um cigarro e nem sequer gosto de cerveja. Nuca fiz cortes de cabelo estranhos e uso unhas de gel. Só há pouco tempo comecei a comer lentilhas, porque até estas me soavam um bocado à onda alternativa do tofu e afins.

Mas crescer também é isto, tornarmo-nos mais flexíveis, menos dogmáticos, experimentarmos, aventurarmos nos fora da nova zona de conforto sabendo que não é por isso que vamos perder a nossa personalidade ou a nossa forma de estar.

 

 

Há 4 anos atrás, na onda de “epá o Intendente está girissimo”, fui com umas amigas até lá. Logo à saída do carro, uma amiga minha que ainda por cima transportava um ovo com um bebé de um mês ouviu daqueles piropo do mais cabeludo possível. As ruas sujas, escorregadias, um outro café com um ar cool mas parados nas esquinas os locais de sempre, de prostitutas a traficantes mais uns espécimens de bigode à Artur Jorge e copo de três colado à mão.

Sim o Intendente estava diferente, alguns prédios de cara lavada e um António Costa a pavonear-se pela zona. Mas pouco mais.

Passaram 4 anos e nunca mais lá voltei. Não fiquei com saudades. Até esta semana, que desafiada por uns amigos, lá fui ao final do dia beber um copo à Casa Independente, um primeiro andar no Largo, num prédio antigo com um pátio traseiro.

 

 

Logo à chegada ao Largo fiquei estupefacta com a animação, imensas esplanadas, cafés, barzinhos, fachadas lindas restauradas, muita gente, muita animação. E até uma aula de dança ao ar livre que se prolongou pela noite dentro. Giro, mas giro.

 

 

A Casa Independente em si também é engraçada, com umas salinhas a fazer lembrar a casa das avós e um jardim nas traseiras com mesas e cadeiras desconjuntadas, cafés com cardamomo, tibornas e wraps para petiscar. Há vinho e cerveja para quem for mais straight 😉 e croquetes de alheira e morcela com maçã.

 

 

O ambiente é alternativo sem dúvida, tudo clientes da “Outra Face da Lua” e da roupa ao quilo na Feira da Ladra  mas está-se bem. Não haja medo que ninguém nos rapta para a Festa do Avante só porque ali estamos.  E há concertos e exposições, e ateliers vários e está cheio de gente e animado. Gostei de estar, gostei de ver. Há turistas sim senhora, mas também há locais com fartura,  numa mistura cosmopolita que só traz coisas boas. E no fi quando saí ainda se dançava o Cha Cha… Lisboa está gira, sim senhora e viva ao Intendente, aonde não vão demorar mais 4 anos para regressar.

 

 

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