Pelo Mundo com os Tachos

pelo mundo com os tachos

Não sou cozinheira. Tenho a mania que sou viajante. Há 16 anos que ando às voltas pelo mundo, a escrever, a fotografar e também a comer. Gosto de experimentar novos sabores, sentir os aromas exóticos, andar pelos mercados locais, saltitar de banca em banca, provar petiscos novos de condimentos desconhecidos, visitar restaurantes, tascas, roulotes e afins.

E adoro voltar a casa e recriar tudo o que vi, tudo o que saboreei. Mas à minha maneira. Com um copo de vinho branco ao lado e a casa cheia de amigos.

O resultado de tudo isto foi este livro. O meu primeiro livro, lançado agora em finais de Abril. Histórias de receitas e receitas com histórias. Simples, baratas, saudáveis. Mas divinais, passe a imodéstia.

Ideal para quem, como eu, gosta de cozinhar, mas não gosta de passar muito tempo fechada na cozinha; gosta de receitas económicas, mas que no final tenham um ar refinado; gosta de comer mas torce o nariz a molhos gordurosos, comidas pré- congeladas e fritos escorregadios.

Não me peçam para fazer um bife com batatas fritas, ou uns croquetes com arroz. Gosto acima de tudo de inventar. Mas sem complicar. Tudo o que implique fase número 1, 2 e 3, horas infinitas a espreitar para dentro de fornos, malabarismos com formas e pinças, poêm-me em três tempos a sonhar com uma simples tosta mista.

Não gosto de óleos, de natas (a não ser de soja), de gorduras e açúcares. Mas gosto muito de comida boa e saborosa. Gosto de condimentos, mas também gosto de sentir o sabor natural dos alimentos. De uns mexilhões a saber a mar. De uns legumes a saber a campo. De uns frutos silvestres a saber a Verão.

Odeio dietas, acho que a melhor forma de não ter que emagrecer, é não engordar. Daí gostar de comida saudável; mas sem sabor a hospital. Há uns anos vivi em Londres numa casa com mais sete comensais vegetarianos e descobri que comer legumes não significa que fiquemos verdes e que ter uma alimentação saudável não é incompatível com pratos ricos e receitas gulosas.

Apavoram-me sim, as receitas com listas quilométricas de ingredientes, os pratos que envolvem mil e um apetrechos e fazem com que uma cozinha no final se assemelhe a um campo de batalha na qual, com sorte, o único sobrevivente é o jantar, nunca o cozinheiro.

Confesso que sou coleccionadora de livros de receitas, é mais forte do que eu; não há viagem em que não volte para casa carregada com alguns. Mas não há nada me que faça desistir mais depressa de um livro do que pratos carregados de ingredientes estranhos, de nomes escritos em itálico tal o exotismo, de pozinhos de perlimpimpim que só pelo nome já me fazem crer que nunca os irei a encontrar. Sim eu sei que pelo menos em Lisboa já existem mercearias paquistanesas e supermercados chineses, mas o país não se limita à capital. E fazer 470 quilómetros de Carrazeda de Ansiães ao Martim Moniz para comprar molho hoisin ou dashi, suspeito que não deva ser dos programas mais agradáveis.

Falo por experiência própria; já dei por mim a ter que correr seis mercearias, três supermercados e quatro hipers para encontrar todos os ingredientes pretendidos para cozinhar uma sopa Sokiyaki… e mesmo assim não consegui encontrar tudo o que a receita me exigia. Quase acabei por desistir e trocar este caldo de cogumelos e bife por uma sopa instantânea.

Nos dias que correm, em que as vidas são cada mais incompatíveis com esta ginástica, nada melhor do que receitas com ingredientes fáceis de encontrar. Sem molhos misteriosos, raízes exóticas e vegetais de pôr os olhos em bico. Daí eu gostar de reinventar. Porque se muitas das receitas deste livro são inspiradas em pratos que provei em sítios mais recônditos do mundo, há que saber depois recriá-las com aquilo que temos à mão; perto de casa; em Portugal; se não há lima kaffir, há casca de lima, se não há noodles, há spaguetti, se não há “pó cinco especiarias” há canela e pimenta… o que interessa é que o resultado seja bom. E que os amigos se reúnam à volta da mesa. E que haja gargalhadas, brindes e histórias sem fim.

E tudo isso é este livro: viagens, histórias, sabores. Para um jantar especial, a dois ou a dez, para uma reunião de família, para uma festa, para o dia-a-dia.

Um comentário

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