Salada Florença… para pessoas que gostam de histórias de amor

DSC_5299

Salada Florença

Adoro histórias de amor. E histórias de amor que nascem em viagem têm por norma contornos únicos. De fogo, de paixão, de leveza. Sabem sempre a férias. Trazem sempre o gosto a gelado de morango, a mar, a areia e pele tisnada. Mesmo quando nascem nas ruas de Nova Iorque, ou em pleno centro de Berlim. São sempre vividas a contra-relógio, o tudo ou nada, aqui e agora.

Francisca contou-me a sua história em Florença, num final de tarde de petiscos na esplanada do Cabiria, na Piazza Santo Spirito.

Francisca, nunca teve filhos, nunca casou mas continua a conquistar suspiros sempre que, entre amigos, recorda a sua paixão por terras de Roma. Já lá vão uns oito anos. Francisca tinha então quase trinta e o casamento de uma amiga levou-a durante uma semana à “cidade eterna”. E como uns dias em Roma podem valer uma vida…. Francisca acredita que sim.

Conheceu Marco, numa esquina da Piazza di Spagna, estava ela de mapa em punho a tentar decifrar as encruzilhadas, quando ele sorridente resolveu interpelá-la e perguntar se precisava de ajuda. Foi paixão à primeira vista. Assim, “como só nos podemos apaixonar por um estranho numa esquina da Pizza di Spagna e ter a certeza que nunca mais vamos sentir tal coisa.”.

Nunca mais se separaram. Durante cinco dias, Francisca conheceu Roma pelo braço de Marco, com intervalos para beijos escaldantes pelas praças e fontes, passos de dança improvisados pelas ruas.

“E até hoje recordo-me ao pormenor do momento em que entrámos na pequena igreja de Santa Maria del Popolo e ele, sem me revelar porque é que lá tínhamos ido, põe uma moeda numa caixinha e automaticamente se acendem à nossa frente dois belíssimos Caravaggios.” Há momentos únicos. Para Francisca esse foi um deles. “Nós os dois, em silêncio, à frente daquelas pinturas únicas, tudo tão belo, tudo tão perfeito.” Até hoje. Despediram-se na estação de comboios, ela rumo ao aeroporto, ele rumo sabe-se lá aonde. Ficaram por ali. Francisca não sabe porquê, nunca quis saber. “Há coisas que têm o seu tempo e o seu espaço.” A verdade é que nunca mais voltou a Roma. E também nunca mais voltou a apaixonar-se.

Pela minha parte, nunca mais voltei a Florença, por enquanto, mas sempre que quero recordar essa cidade mágica, cozinho esta salada, um dos petiscos que comemos nessa tarde na Piazza Santo Spirito .

Para 4 pessoas

  • 600 gramas de batatinhas para assar
  • 8 linguiças
  • 2 pimentos encarnados
  • 2 colheres de sobremesa de alho em pó
  • azeite
  • sal


Num pirex de ir ao forno, coloque as batatinhas cortadas em metades, polvilhadas com uma colher de alho em pó, sal e regadas com azeite. Ponha-as a assar no forno a 200 graus com a função de grill ligada. De tempos a tempos, vá mexendo para que não colem e tostem de todos os lados.

Numa frigideira, com um fio de azeite, salteie o pimento cortado às tirinhas e as linguiças às rodelas. Polvilhe com uma colher de sobremesa de alho e sal.

Estará pronto quando os pimentos estiverem moles. Junte as batatas e mexa bem. Sirva ainda quente.

Mais uma receita do livro:

 

NImpr_Pelo mundo com os tachos-1

 

Um comentário

Deixe uma resposta

Campos obrigatórios têm *.


Preencha o CAPTCHA *