Sri Lanka – Ella

Os dias deviam começar todos como este, com um pequeno almoço maravilhoso no hotel Earl’s Regency. Ovos mexidos, pãezinhos vários, frutas sem fim, uma granola dos Deuses com um iogurte maravilhoso. Se não tivesse um comboio para apanhar, acho que tinha ficado por ali até à hora de almoço.

 

 

Mas lá partimos rumo à estação de Kandy para apanhar o comboio para Ella, uma pequena aldeola perdida no meio das montanhas, no interior do país. Muito conhecida pelos trails, pelas suas cascatas, pela natureza. Mas principalmente pela viagem de comboio que a liga a Kandy e que tem fama de ser umas das viagens mais belas do mundo.

 

 

Ansiosos por comprovar, o primeira embate é logo na própria estação de comboios, onde tudo parece pertencer a outra época. As carruagens ainda do tempo dos ingleses, a locomotiva a carvão, o placard com os horários das partidas em madeira.

 

 

No Sri Lanka os comboios têm carruagens com 3 categorias bem distintas: a 1º classe com lugares marcados e ar condicionado, a segunda classe com lugares marcados e ventoinhas e a 3º classe onde não há lugares marcados, não há ventoinhas e não há número limite de bilhetes. Vale tudo, pessoas sentadas ao colo umas das outras, no chão, em pé, empoleirados nas portas etc…

 

 

Como de Kandy para Ella são apenas 150 km mas são mais de 7 horas de viagem, resolvemos ter uma experiência não tão realista e comprar uns bilhetinhos na 1º classe. Óptima escolha. A viagem é linda, mas sentadinha no meu banco sem 5 passageiros sentados em cima de mim, consigo apreciar melhor a paisagem.

A verdade é que as 7 horas passam num ápice e não tenho tempo sequer de pegar num livro, tal miudo com o nariz colado ao vidro.

 

 

Diante dos meus olhos, campos de chá – o famoso chá do Ceilão é daqui que vem –  a perder de vista, montanhas e vales, árvores centenários com centenas de metros de altura, casinhas simples de agricultores, coqueiros, floresta cerrada.

 

 

Vamos parando em tudo que é estação e apeadeiro, saiem multidões, entram outros tantos. Vendedores de grandes cestas apregoam fritos, frutas e amendoins. Ao meu lado, os passageiros locais chegada a hora de almoço, abrem o farnel e fazem bolinhos de arroz com as mãos.

 

 

Tudo parece saído de um filme perdido no tempo. Ao longe, quando o comboio passa, os trabalhadores rurais param o trabalho e acenam, as crianças correm em bandos. Parece ser o momento do dia.

 

 

Chegamos  a Ella já passa do meio da tarde e o tempo que nos resta não nos permite grandes caminhadas. Apanhamos um tuk tuk que nos leva até à nossa pousada. Uma casa centenária perdida no meio das montanhas, construída por um inglês botânico que se apaixonou pelo Sri Lanka no século XIX e por aqui resolveu ficar.

 

 

Compreendo perfeitamente o inglês, também eu me apaixono mal chego. Principalmente pela varanda do nosso quarto, com uma vista única sobre as montanhas de Ella.

 

 

É aqui que ficamos a beber uma cerveja gelada enquanto o sol se pôe. O barulho dos pássaros, das folhas das árvores, uma brisa que corta finalmente o calor da tarde.

Pela noite, servem-nos o jantar no alpendre, à luz das velas. Um menú verdadeiramente tipico que nos delicia: spring rolls de vegetais, Ambul Thyial de atum, com caril de fruta pão, caril de raiz de beterraba, sambol de coco e para sobremesa wattalappan, um fantástico pudim de leite de coco e ovos.

 

 

Que maravilha de jantar. Mais um dia bom com um final feliz.

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