1º dia : Cochin

Já fui e já voltei. E adorei. E estou aqui para contar.

Já tinha estado há uns anos na India, mas no Norte, onde nos perdemos no meio de tanta gente, tanta cor, tantos cheiros e também tanta miséria, tanto lixo, tanta vaca no meio da rua.

Agora no Sul, no estado de Kerala, encontrei uma India muito diferente. Menos pessoas, menos barulho, menos lixo nas ruas. Muitos corvos, muitos coqueiros, muitas bananeiras, tudo muito verde.

Veem-se  poucas vacas na rua, grande parte da população em Kerala é católica. Quem nos diz é o nosso motorista o Sunir, que mal interrogamos sobre a ausência de vacas nas ruas, responde: “Cows? Beef?” Está tudo dito. Por aqui vaca só é sagrada já cozinhada e se então for com caril ainda melhor 😉

Do aeroporto a Forte Cochin, é cerca de 1h30 de carro. Aterramos ás oito da manhã e o calor já se cola ao corpo, recordando-nos como é um clima tropical.

O céu está toldado, mas nem por isso os verdes da vegetação deixam de ser vivos. Tudo parece ter mais cor por estas bandas. Dos saris à natureza.

Quando chegamos a Forte Cochin o sol já vai tão alto e o calor é tanto que o corpo troca-se nas horas e pede por uma cerveja. Mas estamos no único dia do mês em que é proibido vender álcool. Raio de sorte. Logo o único dia em que vou estar em Cochin.

Já que tenho que pôr de lado a ideia paradisíaca de curar o jet lag com uma King Fischer estupidamente gelada, baloiçando-me numa rede a olhar para o oceano Índico, resta me ir prestar homenagem a quem o desbravou: primeira paragem, igreja de São Francisco onde está o túmulo (vazio, que as ossadas estão no Mosteiro do Jerónimos) do navegador português Vasco da Gama. É a igreja católica mais importante de Cochin e embora por fora esteja cuidada, por dentro está uma miséria. 

Ao lado a praça Vasco da Gama também não está melhor, apinhada de bancas de vendedores de bijuterias, túnicas e peixe. Peixe e marisco acabado de pescar mesmo ali ao lado nas grandes redes de pesca chinesas que se afileiram ao longo da margem. 

Umas estruturas gigantes, ancestrais e únicas. Nunca tinha visto nada assim antes, mas parece que já são utilizadas por estas bandas há mais de 400 anos.

Intervalo para almoço e rumamos a um dos restaurantes mais famosos de Cochin: o Dal Roti. Uma sala despojada, um alpendre com duas mesinhas apenas, as ventoinhas de pás no tecto a tentar amenizar o calor.  Uma ementa cheia de pratos deliciosos. 

Começamos por dividir um “kati roll”, um tipo de wrap de “lachedhar paratha” (uma massa) e recheado de tudo aquilo que possa imaginar: frango, peixe, camarão, borrego, queijo panner, ovo etc… 

Pedimos de frango que vem condimentado com mil e uma especiarias. Uma maravilha.

Também para partilhar pedimos um combinado que vem com um dal – uma sopa de lentilhas- dois caris de vegetais que estavam soberbos, um de couve flor e outro de pimentos jalapenos . Um caril de frango que estava do melhor, um rati para desenjoar e para acompanhar paratha, quente, folhada. Uma maravilha.

Pena não haver King Fisher para acompanhar, mas quem disse que o mundo era perfeito? 

De tarde restou-nos dar mais uma voltas pela parte mais antiga de Cochin, onde se vêem ainda casas de arquitecturas completamente diferentes, herança dos colonizadores portugueses, holandeses e ingleses que por aqui passaram.

Acabamos o dia na piscina do hotel finalmente a deixar o corpo descansar dos voos e da noite sem dormir. À nossa volta o barulho incessante dos corvos a voar de coqueiro em coqueiro, espantados pelos empregados do hotel que andam a decorar as árvores com iluminações de Natal. 

Pois é… estamos quase lá 😉

À noite jantamos num sítio improvável, um pequeno restaurante com mesas de fórmica mesmo ao lado do hotel. Mas mesmo nos sítios improváveis come-se tão bem na Índia.

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É um restaurante vegetariano, pedimos um panner palak maravilhoso, um caril de panner que está delicioso, um arroz jeera – com cominhos – e uma papad com chilli.  Que maravilha. Que bela maneira de terminar o primeiro dia. 

 

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