Açores III – Ilha de São Jorge

 

Por último, rumamos a São Jorge, ilha onde chegamos manhã cedo depois de 2h30 de barco. Atracamos em Velas, pegamos no carro e aproveitando o bom tempo seguimos logo para a Ponta dos Rosais no extremo Oeste da ilha.

Segue se o parque florestal das Sete Fontes,  tudo super bem arranjado, estradas ladeadas de hortenses, fetos gigantescos, miradouros com vistas lindas sobre o mar, a Ilha da Graciosa ao fundo.

Seguimos pela estrada da costa Norte até à Faja do Ouvidor. É linda . E cá de cima a vista é fantástica. Vê se o recorte da costa e a pequena faja lá em baixo, no fundo. A maioria das fajas da ilha de São Jorge ainda não são acessíveis por estrada, só por mar. O que terá aliciado em tempos remotos estas gentes a vir viver para pequenos bocados de terra ao fundo de escarpas imensas, isolados do mundo, sem ligação possivel a nao ser por mar? Diz se que é por que eram as únicas terras planas e férteis da ilha, mas que deveria e deve ser uma vida dura, disso não tenho dúvidas.

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Almoçamos no Restaurante Amilcar  na Faja do Ouvidor, os pratos são todos à volta dos 12 euros e a qualidade deixa a desejar. Pedimos um bife grelhado e trazem nos frito. Acompanhado de batatas fritas congeladas e de uma salada que já foi mais fresca. Salva se o queijo da ilha e o pão de massa sovada.

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De tarde seguimos para a costa Sul. Começamos pela Calheta,  pequena localidade muito gira, vale a pena visitor a igreja de Santa Catarina, construída no século XVII. Continuamos por Manadas que tem também uma bonita igreja e seguimos daqui para Urzelina pela zona de Casteletes, à beira mar, que é considerada a marginal de cá.  É uma zona muito gira e com formações vulcânicas fantásticas.

Acabamos o dia em Velas, a pequena capital de São Jorge. Vale a pena visitar as piscinas naturais de Preguiça, percorrer a rua pedonal Francisco Lacerda e visitar a igreja de São Jorge construida em 1460. Chegamos no dia da festa do Divino Espírito Santo, há cantoria na rua e distribuem vinho tinto, massa sovada e queijo da ilha. Sentamo nos no degrau do coreto e ficamos a admirar a festa. A beber vinho e a comer queijo. Está céu azul e um calor abafado.

Em São Jorge ficamos hospedados na quinta de São Pedro, junto a Velas, uma propriedade do século XVII convertida em turismo rural há sete anos. Tem meia dúzia de quartos, piscina e um relvado com uma vista fantástica sobre o oceano.

O edifício principal mantém a traça original, bem como a casa dos caseiros, a cavalariça, a cisterna e o manso. A proprietária, Joana, é muito simpática e disponível e tem dicas óptimas sobre a ilha.

No segundo dia em São Jorge apesar do nevoeiro denso que se abateu sobre a ilha resolvemos fazer todo o caminho até ao topo no extremo Leste da ilha. E valeu a pena, lá chegados o nevoeiro tinha desaparecido e o sol brilhava.

Topo é uma pequena localidade à beira mar e berço daquele que é considerado um dos melhores queijos de São Jorge. Tem um farol, um porto e uma igrejinha muito bonita.

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De lá seguimos para a Faja das Almas,  para o restaurante Maré Viva que nos foi referenciado pela dona da quinta de São Pedro.
A Faja das Almas é uma pequena localidade no fundo de uma escarpa e para se chegar tem se que descer com o carro por uma estrada muito, muito íngreme e sem qualquer tipo de iluminação. Por isso nao se aconselha que venha aqui jantar- nem sei se servem jantares- mas para almoços é um sítio muito agradável. Fica à beira mar, tem esplanada e pratos de sabores caseiros. Começamos com uma sopa de peixe e seguimos para uma albacora no forno, um peixe da família do atum, muito bom. À laia de sobremesa, terminamos a refeição com um pratinho de queijo da ilha.

 

Depois do almoço resolvemos ir novamente para a costa Norte para conhecer mais duas fajas. A dos Cubres e a da Caldeira de Santo Cristo. Esta última só conseguimos ver de longe, do miradouro, pois não tem estrada de acesso. Mas vale a pena a vista, pois é uma faja linda, com uma grande lagoa no meio.
Já a dos Cubres, também não lhe fica atrás e tem também uma bonita lagoa, mas consegue se descer e visitar. Meia dúzia de casas, vacas a pastar, uma igreja do principio do século XX. Uma beleza dura, muito mar, muito verde, as escarpas quase a tocarem no céu.

Acabamos por aqui o dia, regressamos à Quinta de São Pedro para um copo no terraço.

E pronto, assim foi a viagem pelos Açores. Comida boa, paisagens lindas, bons turismos rurais, um povo simpático mas… demasiada chuva para o meu gosto, confesso. Se calhar tive azar com o tempo, se calhar é mesmo assim. Talvez um dia volte para conhecer as restantes ilhas, mas para já ficou-me no coração, São Jorge como ilha e Angra do Heroísmo como cidade.

 

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Blog Comments

Os Açores são as ilhas das 4 estações e talvez por isso tem estas paisagens magnificas…. também temos muito sol …. e vale a pena visitar as fajãs com acesso pedestre, uma experiência única

tive pena de não visitar as que têm acesso pedrestre, realmente adorei as fajãs. Fica para a próxima.

Fiquei com bastante vontade de visitar as Fajãs, achei lindas…

Boa noite,
Sou Jorgense com muito orgulho e gostei muito de ler este relato tão sincero da minha ilha. No entanto, a Fajã da Caldeira de Santo Cristo tem acesso sim, tem de ser feito a pé. E é isso que dá tanto encanto a ela, é a fajã mais conhecida dos Açores, a mais bonita, a mais procurada, porque lá conseguimos recuar no tempo, encontrar paz e tranquilidade no melhor que ela tem para nos oferecer, a natureza no seu estado mais puro.
Adriana Teixeira

Olá Adriana, que pena, disseram me que não tinha acesso por terra, ou melhor de carro, sou descendo pela ravina e confesso que para isso sou um bocado maricas. Fica para a próxima. Bj,
Catarina

Boa tarde, sou jorgense de gema e como tal orgulhosa da minha terra, principalmente pelos seus encantos naturais.
Realmente o nosso clima é incerto por vivermos em ilhas, é pena não ter tido sorte com o tempo, mas também temos dias radiosos quando o sol decide dar um ar da sua graça :).
Gostei muito do seu relato, apenas tenho uma correção a fazer, a estrada que liga o sitio de Terreiros, freguesia das Manadas, pela orla marítima, chama-se “Casteletes” e não “Cassetetes” 🙂

Boas viagens

Maria Pacheco

Obrigada Maria, ilha linda a sua 🙂
Já fiz a correcção.
Um bj
Catarina

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