Córsega… a ilha da beleza

E depois da Sardenha, nada como dar um pulo à Córsega, que fica mesmo ali ao lado – 50 minutos de barco – e rivaliza em beleza com a primeira.

Os preços já são um pouco inferiores, mas as praias e afins não ficam nada atrás. Ai que saudades….

Aqui fica a reportagem que escrevi na altura para o Fugas do jornal Público.

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“Enseadas, água azul-turquesa, falésias e promontórios mar adentro. Queijos, enchidos, pinheiros, fortalezas seculares, casas cor de areia, caminhos de laranjeiras, peixe fresco e iates milionários. Longe do turismo de massas da costa mediterrânica, Catarina Serra Lopes descobriu a ilha do Sul da Europa onde beleza ainda rima com selvagem. Imprescindível para uns dias de sol e mar.
 
Tudo começou por um nome: Ilha da Beleza, como em tempos idos lhe chamaram os gregos. Soa bem, não soa? Agora junte-se praias ainda em estado semi-selvagem, água quente cor de esmeralda, areia branca, protecção ambiental, boa comida e noites quentes com cheiro a frutos silvestres e ainda soa melhor.
Quando dei por mim já estava a desembarcar. Primeiro levada por um nome, por fim pela certeza.  E os gregos, benditos sejam, tinham razão. Os genovenses, os mouros, os fenícios, os romanos, os sarracenos e todos os outros que por aqui andaram durante séculos em invasões e conquistas, também. Percebe-se logo porque é que tantos disputaram esta ilha, acabando os franceses por levar a melhor. É linda. E poderia ficar por aqui. Mas sítios lindos no mundo há muitos, diz-me o caro leitor. Passemos então aos argumentos.


Ao todo são 185 quilómetros de comprimento por 85 de largura, pejados de montanhas, falésias, penhascos e rochedos, baías de águas límpidas, enseadas de areia branca e corais, estradas sinuosas de curvas cénicas, aldeias de casas de pedra, caminhos de laranjeiras, areais ladeados de pinheiros, marinas cheias de iates sumptuosos e esplanadas de marisco e peixe fresco, restaurantes acolhedores em ruas estreitinhas, campanários e fortalezas.
É assim a Córsega, uma terra de coração selvagem entre a França e a Itália, quase colada à Sardenha.
Quantos aos corsos, esses, descritos por muitos como um povo carrancudo, desejoso de ver os franceses longe, impetuoso e indomável, revela-se no fundo uma agradável surpresa. De toque latino e sangue quente, comunicativos, alegres, temerários e valentes, sem meiguices, nem trejeitos, algo bruscos mas transparentes. “Não somos de ninguém, temos uma cultura e uma identidade próprias”, dizem a uma só voz, num dialecto próprio, de costas voltadas para a pátria das baguetes, orgulhosos da sua bandeira onde se desenha uma cabeça de pirata com um lenço atado à corsário. Símbolo da rebeldia de um povo que se estende à própria paisagem da terra. Selvagem, quase intocável, onde o mar entre o verde pistáchio e o azul-turquesa suaviza as costas de escarpas cor de fogo.


Se se somar a este cenário idílico, o facto desta ilha ser ainda o destino por excelência de belos exemplares da raça italiana em passeio de férias, não faltam razões para que fazer as malas e partir seja mais uma imposição incontornável do que uma escolha.
Lá chegado, resta ao viajante optar entre um passeio por toda a Córsega, desde o Norte montanhoso, às aldeias esquecidas do interior, ou ficar apenas pelas praias do Sul, algumas mais das belas de todo o Mediterrâneo. Sem filas de trânsito, sem multidões caóticas, sem areais pejados de veraneantes a banhos. Principalmente se optar por ser original, fintar Julho e Agosto e desembarcar na terra dos corsos ou na Primavera, ou depois dos finais de Agosto.  Em Setembro ou o Outubro, a água continua cálida, o ar abafado e a maioria dos turistas já debandou. Restam os sortudos. Seja um deles.
Depois de chegar, malas em punho e primeiro conselho é que se faça à estrada, em carro próprio ou alugado. As estradas são lindas e há muito o que descobrir.


Caso a visita englobe toda a ilha, impõe-se então uma passagem por Ajaccio, a capital, onde nasceu Napoleão Bonaparte e de onde parte uma estrada cénica para Norte, até Capo Rosso, com as suas grutas e escarpas de rocha vermelha. Calvi obriga também a uma paragem, com a sua marina e as suas lojinhas de gastronomia típica, é o ponto perfeito para partir à descoberta do Norte.
Pelo interior, não deixe de visitar a pequena povoação de Lama. Principalmente durante o Verão, altura em que se realiza um festival de cinema ao ar livre, com antestreias várias a serem projectadas pelas ruas em ecrãs gigantes com almofadas, bebidas e aperitivos gratuitos.
O Parque Natural da Córsega também no Norte, marca pontos pelas suas montanhas e lagos. O Monte Cinto é o ponto mais alto da ilha com 2706 metros de altura.
No extremo Norte, a apontar para França, o Cabo Corse, é uma profusão de enseadas de águas cristalinas, veleiros, torreões de pedra, e pequenas localidades com cheiro a maresia.
Passando para a costa Este, Bastia, uma das principais cidades da ilha, merece uma passagem rumo a Porto Vecchio, uma das mais belas localidades da Córsega. No cimo de uma montanha sobre o mar, as suas ruelas empedradas cheias de restaurantes acolhedores com esplanadas floridas convidam a jantares longos em noites de brisas marinhas.

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De Porto Vecchio até Bonifácio, já no extremo Sul da ilha, aproveite para explorar algumas das mais belas praias dos mares do Mediterrâneo. Se tiver um veleiro, um barco a motor ou um simples caiaque ainda melhor. Se não, não desespere, de carro também é possível descobrir sitios maravilhosos. Da praia de Rondinara, uma baía em forma de concha, com água de esmeralda e pinheiros mansos em redor, até à praia de Pallombaggia, o mais longo areal da ilha. Mas estas são apenas duas de muitas. Não perca nenhuma, reserve um dia para cada, arme-se de óculos, tubo e barbatanas e passe as tardes entre banhos de sol e mergulhos de mar. Há corais e peixes multicolores. A visibilidade é imensa e a temperatura da água a rondar os 26 graus permite horas de molho.

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Ao final da tarde parta à descoberta da “cittá” alta de Bonifácio, entre as muralhas genovesas que em tempos protegiam a cidade dos invasores. São ruelas de prédios centenários de cor de areia, becos e encruzilhadas de estilo mourisco, com palmeiras a dar o toque tropical. Há lojas de pequenos designers locais, galerias de arte, casas de,produtos típicos, restaurantes de queijos de cabra e ovelha e enchidos à base de javali, esplanadas de cadeiras de ferro forjado à sombra de oliveiras e vinhas, onde a especialidade são as mil e uma maneiras de fazer “mulles frites” – mexilhões com batatas fritas. Tudo ao sabor do vinho local, o Patrimonio, ou de uma cerveja Pietra. Há peixe fresco, pão molhado em azeite, azeitonas frescas – isto sim é o Mediterrâneo. Há queijo de cabra com mel, crepes sem fim e medronho para terminar. Já com a lua alta e o cheiro a mar. A ouvir as ondas. Na Ilha da Beleza, onde o cheiro a Verão é eterno.

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Catarina Serra Lopes

Como ir:
Tem duas hipóteses: ou de carro ou de avião. Se for de carro, terá que ir até Nice, Marselha ou Toulon e aí apanhar o ferry boat para Bastia, Ile- Rousse, Calvi ou Ajaccio. Um bilhete de barco para duas pessoas mais carro é cerca de 100 euros e a viagem dura em média 3 horas. Mais informações e preços em www.corsicaferries.com.
Se optar por esta hipótese tem a vantagem de puder utilizar o seu próprio carro para se deslocar pela ilha.
Caso prefira ir de avião, a Air France voa de Lisboa para Ajaccio com escala em Paris ou em Nice, a partir dos 500 euros por pessoa.
Se escolher esta opção, o melhor será alugar um carro à chegada. No aeroporto local existem as principais rent-a-cars. Um utilitário por dia custa à volta de 70 euros por dia.

Onde ficar:
Em Calvi fique no La Signoria, uma casa do século XVIII  no meio de uma paisagem luxuriante. Duplo a partir de 230 euros. www.hotel-la-signoria.com

Em Porto Vecchio reserve quarto no Grand Hotel de Cala Rossa e aproveite os pores do sol sobre o mar. Quarto duplo a partir de 500 euros.
www.hotel-calarossa.com.”

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5 comentários

  1. Gostaria de saber como ir de Portugal até à corsega e onde ficar a sul da ilha:)@@
    Obrigada e cumprimentos
    Maria Leonor

  2. Olá Catarina, estou a pensar numa viagem para fazer entre 8 e 13 de Maio sensivelmente no meu aniversário de casamento, mas estamos perdidos porque queremos gastar pouco mas gostavamos de um pouco de cultura aliada ao dolce fare niente de podermos deitar numa espreguiçadeira e apanhar um pouco de sol… Lembrámo-nos da Córsega. Será uma boa opção nessa altura? Obrigada 🙂

    • Oá Diana Maio na Córsega ainda é fresquinho máximas de 21 graus e grandes probabilidades de chuva. Se quiser bom tempo é melhor Ásia, São Tomé, Cabo Verde…. Dê uma vista de olhos no meu site: http://follow-me.com.pt

  3. boa tarde gostaria de esclarecer um erro que vi em vosso site, uma viagem de Toulon, Marseille ou Nice no mínimo são 10.00hrs de viagem normalmente os barcos partem as 18.30 e 21.00 horas chegando às 8.00 horas do dia seguinte, moramos na Corse há 26 anos exceto os barcos rápidos que levam 3 horas mas só partem no verão. Existem também horário diurnos mas o percurso são mínimo 10.00hrs.

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