Continuação da viagem por Kerala: Varkala e Kovalam

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Depois de deixarmos as Backwaters, rumamos a Varkala, onde chegamos depois de 3 horas de viagem por ruas apinhadas de trânsito, de gente e de comércio.

Varkala é uma pequena vila de pescadores à beira-mar que começou a ser descoberta pelos estrangeiros nos anos 70 desde então que começou a ver os barcos de pesca serem substituídos por pequenos lodges e restaurantes de praia.

Mesmo assim nada que retire totalmente o carisma ao sítio, ainda se vêem barcos, redes e o areal está tudo menos lotado de ocidentais deitados ao sol. 

Grande parte dos lodges e e dos restaurantes ficam em cima de uma falésia cor de fogo sobranceira à praia. O mar não é esmeralda, mas é quente e para quem gosta de ondas, então, é perfeito.

Há bancas a vender as habituais túnicas e colares, a par de restaurantes com um ar casual onde tanto se pode pedir uma pizza como um frango tikka masala.

Cerveja é que para pedir tem que ser  baixinho já que a maioria dos sítios não tem licença para vender bebidas alcoólicas.

Trazem duas canecas opacas e uma garrafa de King Fischer que depois de servir escondemos debaixo da mesa. 

Almoçamos no Theeram, um restaurante de madeira com dois pisos abertos para o mar, onde ainda sobra alguma brisa para cortar o calor tórrido da uma da tarde.

Pedimos uma especialidade de Kerala, um frango com molho “chettinadu” que é uma maravilha. Para acompanhar um arroz “jeera” e uns legumes com molho de coco, um prato que dá pelo nome de “avial” e que nos convence desde a primeira garfada.

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Enquanto almoçamos, chegam pescadores à praia nas suas canoas, e despejam na areia o produto da faina. 

Outros, a poucos passos entretém-se a desembaraçar as redes.

É sábado e de quando em quando chegam à praia grupos de rapazes “teenagers” indianos. Tiram selfies e lançam-se ao mar de jeans vestidos. Não se vê um único nacional de fato de banho ou bikini. Mulheres são poucas na praia e as que há, passeiam de sari à beira mar de mão dada com os namorados.

Acabamos o almoço despedindo-nos de Varkala. Surin espera-nos junto ao carro para nos levar até ao nosso último destino do dia: Kovalam. 40 km que demorarão cerca de 2h30 a fazer.

A Índia anda com um grande problema de falta de nota e o nosso motorista pára em quase todas as caixas multibanco que aparecem pelo caminho para tentar levantar dinheiro. Sem sucesso.

Mal chegamos ao hotel, deixamos as malas no quarto e vamos até a praia. Kovalam tem 3 praias separadas por pequenos molhes. A do nosso hotel é a que tem menos gente, a do meio está à pinha de muçulmanos em festa, todos vestidos na praia, autocarros de turismo alinhados, microfones gigantes a vomitar preces aos gritos. A terceira praia é a mais famosa por estas bandas, chama se Lighthouse Beach e como o nome indica tem um  farol às riscas encarnadas e brancas num dos extremos. É a esta a imagem que aparece em todos os cartões postais da zona. Mas não é bem esta a imagem que vemos in loco.

In loco a Lighthouse Beach é uma baía em forma de concha, com um mar imenso onde centenas de indianos se banham vestidos com água pelos joelhos. As pequenas ondas parecem inofensivas mas os nadadores salvadores não dão tréguas e passam o tempo a apitar mal vêem alguém ter a audácia de se aventurar com a água pelas ancas. Não percebemos se o mar esconde perigos bem disfarçados ou se o problema é o povo local não ter nada de Michael Phelps.

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Ao longo da praia, alinham-se restaurantes de ar entre o kitsch e o atabernado e apartamentos importados da Quarteira. Tudo junto deixa pouco a desejar. 

Damos  um curto passeio à beira-mar, a observar os indianos vestidos a banharem-se nas águas e aterramos de seguida num rooftop virado para o mar onde pedimos em sussurro uma cerveja ao empregado. 

Aqui o álcool também se esconde da mesa como em Varkala. 

O sol pôe- se enquanto beberricamos a King Fischer, o nadador salvador apita furiosamente a expulsar toda a gente da água. Aqui a praia encerra pelas seis da tarde, quer se queira quer não.

O mar pinta-se de tons rosa, o horizonte púrpura. Kovalam deve ter sido linda antes da fúria do turismo ter aniquilado a beleza natural do sítio.

Levantamos âncora mal termina a cerveja e resolvemos dar mais uma volta pelo paredão. Todos os restaurantes exibem as mesmas bancas de peixe e marisco fresco. Os preços são idênticos. Só difere a decoração do espaço. Parecem todos restaurantes de feira popular, embora a acompanhar as luzinhas psicadélicas tenham também velas nas mesas para o toque romântico.

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O que é bom na Índia é que mesmo em qualquer tasco com ar manhoso se serve comida óptima.

Em Kovalam jantamos no Malabar Café um “kadai de Peixe” um camarão com molho “Masala” e uns legumes “jafrezzi” tudo maravilhoso. 

Terminamos o dia em beleza. Cansados mas reconfortados. Prontos para uma boa noite de sono a ouvir as ondas a rebentar na beira-mar.

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