Sem se falar de Salvador da Baía:
No berço do Brasil
Já foi centro de chicoteamento de escravos e zona de prostituição, casa de Jorge Amado, atelier ao ar livre de artistas, palco de boémios. Hoje é Património da Humanidade e o orgulho de Salvador.
Foi na Baía que o Brasil deu os primeiros passos, foi na cidade de Salvador que a Baía nasceu e foi no Pelourinho que tudo começou. Pode-se assim dizer que o “Pelô”, como é conhecido localmente, é o centro histórico não só da cidade de Salvador – primeira capital do país – como do Brasil.
Um emaranhado de ruas de calçada, ladeiras, largos e ruelas íngremes, com prédios pintados às cores, igrejas barrocas e varandas coloniais. Ateliers, galerias de arte, cafés, bares, lojinhas de artesanato, “botecos” e restaurantes eclécticos.
No Pelourinho, centro boémio, artístico, histórico e cultural de Salvador da Baía há de tudo um pouco. Por aqui passa a movida nocturna, os turistas, os locais, os pobres e os ricos. Por aqui passou Jorge Amado muitos anos da sua vida, primeiro a viver, depois em busca de inspiração.
No centro da vida local, marcam presenças as baianas, muito gordas, de saias rodadas que vendem “acarajé” – massa de feijão frade, cebola e sal recheado com camarão seco. Como a Dona Dicá que há anos que faz das escadas da “Casa de Jorge Amado” o seu ponto de venda. Dia após dia, banca grande recheada de “fritos” e guloseimas.
Ouvem-se batuques pelas ruelas, o Pelourinho é muita música, de tambor e berimbau.
Mas nem sempre assim foi, reza a história que o largo principal, Praça Terreiro de Jesus, foi em tempos idos centro de chicoteamento de escravos. E assim continuou até 1835, altura em que foi abolida a escravatura no Brasil. Até ao século era aqui que se concentravam as melhores moradias da cidade. Já nos anos 60, entre artistas e boémios, veio a degradação do bairro, com a prostituição e a marginalidade a tomar posse das ruas.
Nos anos 80, com a UNESCO a atribuir-lhe o título de Património da Humanidade, o “Pelô”, ganhou novo fôlego, vindo a ser alvo de um processo de reabilitação. Pintaram-se as fachadas, chamou-se a cultura de então, expulsaram-se os marginais. E o centro de Salvador voltou a viver.
Entre monumentos históricos, botecos de tradição, lojas de sempre e restaurantes modernos, há muito a não perder. Como as igrejas de São Francisco – toda em talha dourada- e a do Rosário dos Pretos, a imponente Basílica, a Fundação Casa Jorge Amado, o Bar Cravinho – onde se reuniam os boémios dos anos 70 a beber “jatopés”.
O restaurante Sorriso de Dadá, a sede do Oludum, a Ladeira, a Igreja do Carmo e a Praça da Sé são alguns de outros pontos a não perder.
Como ir
A TAP voa regularmente de Lisboa para Salvador da Baía com bilhetes a partir dos 1000 euros.
Onde ficar
No Pestana Convento do Carmo. O primeiro hotel histórico de luxo do país. Com apenas 79 quartos marca pela elegância dos quartos e salões decorados com muitas obras de arte. Duplo a partir de 200 euros.
Onde comer
No restaurante Maria Mata Mouro, eleito pela revista brasileira VEJA como um dos melhores da cidade. Experimente a ambrósia de bacalhau e a moqueca de camarão.
A melhor vista
É a que se vê das esplanadas do Cafelier do Carmo e do Bar Cruz do Pascoal. Sob a Baía de Todos os Santos. Principalmente ao entardecer, com uma Skol na mão.
A visitar
Para além do Pelourinho, o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, o Farol da Barra, Itapuã, o Parque da Cidade e o Jardim Botânico, entre outros.
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